#ElesNão: Porcalhões no meio de nós

Na Rua Almir Zunino, na frente de um terreno usado para armazenar areia, onde deveria ter calçada, tem lixo. Parte foi queimada. Mas, a nojeira está ali e não é culpa da prefeitura, mas dos porcalhões que teimam em viver entre nós. Ali é só um exemplo. As margens das rodovias, lixo industrial. Nas estradas do interior a situação se repete.

Retrato do mau hábito de descartar lixo em local impróprio, ainda tão inserido na população, e de suas consequências para as finanças municipais e para o ambiente. Na SC-108 que liga São João Batista a Brusque, moradores da região param com seus carros, abrem porta-malas e jogam os resíduos sem o menor pudor. Não se incomodam nem mesmo com a circulação de carros no local.

No ano passado pessoas teriam feito um buraco, jogado lixo na beira da estrada, e colocaram fogo, que atingindo a rede de água nas margens da SC-108 em Domingas Correia. Ou seja, não há limites para os porcalhões criminosos.

É equivocado o pensamento de que limpeza urbana é um problema unicamente do poder público. Em muitos países, a população já compreendeu que o descarte e o tratamento do lixo também são de responsabilidade de quem o produz. Garantir que ele chegue ao destino adequado é uma questão de cidadania e respeito ao futuro. Por aqui, estamos atrasados. Nossas cidades continuam sujas, porque as pessoas teimam em não fazer sua parte.

Em Tóquio, por exemplo, não existe a necessidade de instalação de lixeiras nas ruas. Os moradores entendem que possuem a obrigação de levar o lixo para casa e separá-lo para a coleta seletiva. O sistema de reciclagem local abrange mais de dez categorias. Em alguns locais, a taxa de reaproveitamento do lixo chega a 100%. Em Toronto, no Canadá, a participação popular nos trabalhos de reaproveitamento do lixo chega a 96%.

Aqui em São João Batista, apesar das campanhas a separação do lixo ainda engatinha. O grande impacto da sujeira para o orçamento fez com que a poder municipal chegasse a uma atitude extrema: a de deixar de recolher o lixo de quem não faz a separação adequada. Ainda assim, é comum ver lixo espalhado nas ruas, misturado o orgânico e reciclado.

A medida de deixar de recolher lixo não separado e multar quem joga nas ruas é eficiente, mas precisa ser aliada a campanhas de conscientização. A punição não pode ser a única forma de educar. É preciso despertar o interesse em viver em um ambiente mais limpo e saudável, e a consciência de que é necessário cumprir nossos deveres de cidadão, como descartar o lixo corretamente. As escolas podem ser um bom caminho.

Todos merecem uma cidade mais limpa, praças mais asseadas e ruas livres de dejetos. Ninguém quer isentar o poder público de suas obrigações: cabe às autoridades desenvolver sistemas de coleta cada vez mais modernos, que acompanhem o aumento da produção de lixo, consequência da melhoria das condições de vida da população. Os mecanismos de coleta seletiva e reciclagem devem ser ampliados. Nada disso, porém, apresenta qualquer resultado se a outra parte envolvida continuar ignorando o seu papel de fazer uma cidade sustentável. O problema do lixo é de todos.