Canelinha ficará só no Ala e Costa Rica? Não! Tem mais.

Pra se desenvolver uma cidade precisa sim dos empresários, grandes e pequenos, geração de empregos e contas públicas saudáveis. É a iniciativa privada que gera divisas para que o poder público possa investir em obras e serviços. As cidades com melhores índices de qualidade de vida em Santa Catarina incentivam a abertura de negócios e desburocratizam a vida dos empreendedores. Canelinha descobriu o caminho é colhe frutos. Montibeler assinava uma pilha de documentos oficiais, na manhã desta quarta-feira (16), quando fui recebido em seu gabinete. Sorridente. Na noite anterior a Câmara de Vereadores analisou e votou o projeto de doação de terreno para a empresa Costa Rica, garantia de um investimento de R$ 120 milhões e mais de 400 empregos diretos na cidade. “Gosto de falar quando a coisa está certa”, disse o prefeito que evita dar entrevistas, mas que desde janeiro, quando assumiu o comando do município, domina as manchetes da imprensa regional. Moacir Montibeller administra Canelinha pela quarta vez. Assumiu a cidade com o desafio de reativar o parque industrial e gerar empregos. Já nos primeiros meses atraiu a empresa de Calçados Ala, que inaugurou sua filial abrindo mais de 260 postos de trabalho. Na época já dizia que continuaria os esforços para novos investimentos. Na rapidez do fechamento das empresas do setor cerâmico, Montibeler articulou a instalação da Costa Rica. “Deus está sentando em algum lugar dessa sala. As vezes ele sussurra. Sei que estou fazendo o que é básico para as pessoas”, disse. Com pouco mais de 12 mil habitantes, Canelinha vinha observando o fechamento de cerâmicas, fim de postos de trabalho e recursos públicos minguando. Prefeituras dependem da produção industrial para bancar parte de suas estruturas e até mesmo manter serviços. O retorno do ICMS, atrelado diretamente a indústria, é importante fonte de recursos para os municípios. Moacir fez o cálculo correto: incentivar a indústria geraria empregos, riqueza na cidade e ainda impulsionaria a arrecadação. Mais dinheiro que poderá ser revertido em obras. E tem feito gestos e gentilezas para quem pretende se instalar na terra das cerâmicas. Ainda na manhã desta quarta, enquanto aguardava na recepção da prefeitura, acompanhei a situação de um empresário da cidade que tem investimentos na vizinha Tijucas. Ele dizia que tem empresa fora, mas que agora, com o ambiente favorável e apoio do poder público, quer transferir seus negócios para a cidade. Foi desencadeado o ciclo virtuoso. E fica só com Ala e Costa Rica? Não. Três empresas de componentes para calçados já planejam abertura em Canelinha nos próximos meses. Junto com a Costa Rica, uma cadeia produtiva também deverá se desenvolver no entorno. Outras empresas, incluindo do setor calçadista, já mostraram disposição em fazer investimentos na outrora Terra das Cerâmicas. Moacir Montibeller segue ponderando, enquanto assina a papelada. “Eu sinto uma alegria imensa em ver esse resultado. Afinal, falam tanto em ‘político velho’. Estamos ai mostrando”, fala. O galo continua cantando. Sete meses de gestão, revelam uma cidade, que como todas as outras tem problemas, mas que está com disposição para afastar o fantasma da falta de oportunidade. Na luta de Moacir Montibeler em atrair empresas, está a salvação para economia da cidade. Com a benção do poder público, desburocratização e despartidarização da política industrial, Canelinha se desponta. No fim das contas todo mundo precisa trabalhar, comer e pagar as contas. Se Deus está sentando em algum lugar da sala de Moacir Montibeler, a fé mostra. De concreto tem uma política sólida de atração de empresas, e diálogo franco entre o gestor do município com o empresariado. Fazia tempo que o Vale não recebia tantas notícias positivas de novos investimentos. Nasce uma nova Canelinha, embalada pelo canto do galo.