Voto no Vale: a troco de que daremos nosso voto?

A geografia do voto está mudando. O Vale do Rio Tijucas, relegado até pouco tempo a periferia política da Grande Florianópolis, assume papel decisivo e vira rota dos candidatos a Governo do Estado, Senado e Deputados Federal e Estadual. Tamanho do eleitorado é uma das explicações, já que a região ultrapassou os 71 mil eleitores; mas a relevância econômica da região, é talvez, o fator mais importante.

Só na semana passada a região recebeu os dois principais candidatos na disputa pelo Governo do Estado. Gelson Merisio e Mauro Mariani realizaram eventos e visitaram municípios. Candidatos a deputados também realizaram eventos para reafirmar compromissos. Essa mudança na geografia, ou homogeneização do eleitorado, pode indicar uma guinada para os cinco municípios que compõem o Vale.

Com maior eleitorado e força econômica, terão assim argumentos sólidos para brigarem por recursos e investimentos. Basta ver o descaso em que o Governo do Estado historicamente trata nossos problemas. A recuperação da rodovia SC-410 foi anunciada em 2013 e passados quase seis anos, ainda não foi concluída. Trecho recuperado já apresenta problemas. Obras de cratera aberta na SC-410 entre São João Batista e Nova Trento demorou mais de um ano, e a um ano a comunidade do Tigipió espera solução para cratera da SC-108.

Se no voto a região já se mostra importante para os candidatos, na prática há abandono. Também em 2013 foi anunciado construção de Posto da Polícia Rodoviária na SC-410. Não saiu do papel. Em 2015 foi prometido que a criação de Guarnição Especial da Polícia Militar na região, ampliando número de policiais e investimento na segurança pública. Ficou na promessa. E nas inúmeras reuniões em Florianópolis. Os jornais chegaram a noticiar inclusive que seria iniciada a construção de acostamentos e terceira via em alguns trechos da rodovia que liga São João Batista a Brusque. Embuste. A velha forma dos políticos empurrarem com a barriga.

Muda neste pleito o número de candidatos disputando o titulo de representas da região. Houve uma proliferação de candidaturas o que deixa confusa a estratégia de lideranças locais. Pode também dificultar as cobranças posteriormente. Em São João Batista, por exemplo, só daqui há quatro candidatos: Betinho Souza, Mario Marcondes, Angelo Zunino e Altair Silva. Com esses, dezenas de outros disputam votos com apoio de políticos da cidade. Caso haja pulverização de votos, a cidade perde representatividade e força na capital.

O momento é propício para que a população reivindique atenção, prioridade e representação. Também de cuidado em verificar qual será o peso das cidades da região no mandato. Digitar o número porque algum cabo eleitoral pediu, pode ser um tiro na solução de nossos problemas. Não é possível que com tantas deficiências de investimentos, descaso com rodovias, educação e saúde se desperdice a chance de termos vez e voz. Até o dia 7 de outubro, muitos candidatos ainda vão bater as trilhas do Vale, e a troco de que daremos nosso voto é que está o dilema.