Disputa eleitoral foca em governistas

Há uma improbabilidade matemática de que os progressistas consigam se reorganizar minimamente para serem competitivos na eleição de outubro. A disputa parece centrada no grupo governista e em quem será o candidato abençoado pelo prefeito Daniel Cândido (PSD). No fim das contas a cabeça será de Leôncio Cypriani (MDB), Pedroca (MDB), Rubia Tamanini (PSD) ou Juliano Peixer (PSL). Um dos quatro será ungido, e daí também sai o vice.  

No campo da oposição, a situação é diferente. Não há sinais de consensos, construção ou alianças, nem um nome que desponte e possa fazer frente, para convergir os partidos de oposição. Há conferir em outubro, mas pela leitura atual, será uma das eleições mais dramáticas para os cola-brancas. Não há disposição ou cenário fácil para o partido.

Grupo sempre orbitou o ex-prefeito Aderbal Manoel dos Santos, que neste momento marca uma linha de distância no processo político. Desde a eleição de 2016 o PP ficou completamente à deriva. Sintoma de um partido que não conseguiu sair de 2004 e 2008. Ficou preso em um projeto já superado e não sabe para onde correr. Ou não quer saber. Tem que lidar com seu próprio enfraquecimento de base. Teve dois vereadores cassados e mais suplentes inviabilizados eleitoralmente.

Progressistas também tem dificuldades em estabelecer terreno contra a forte popularidade do prefeito Daniel Cândido. Falta de um projeto claro, poderá impactar inclusive na eleição da bancada de vereadores. Uma das possibilidades é que não acertando o passo, poderá minguar ainda mais o legislativo; vai se ressentir pela perda de puxadores de votos como Carlos Francisco da Silva, Mário Soares, Alécio Boratti, entre outros.

Para os governistas os ventos são favoráveis, apesar de todas as polêmicas envolvendo suas principais lideranças. Poderá se decidir entre quatro nomes, e depois trabalhar pela unidade interna. Aliás, as brigas dentro dos partidos serão superadas na próxima curva, já que o interesse em manter o comando será mais importante que os disputas pessoais. Não fazendo bobagens, a vantagem matemática está com o governo.

Entre as poucas alternativas de projeto para o PP, está lançar uma candidatura e esperar um milagre de erros nos governistas, e ainda arriscar deixar de fazer uma bancada relevante no legislativo. Ou, apoiam candidatura de outra sigla, apostam em nomes para a Câmara e se fortalecem para 2024. De qualquer modo nenhum dos caminhos será fácil. Mas, um deles representa colocar a tampa no caixão e outro ficar com a cabeça para fora da água e respirando sem aparelhos.

Com o tempo correndo, os próximos passos serão interessantes de acompanhar.