Presidente do MDB fala em renúncia. Pedroca sob risco de expulsão

Em 2016, Pedro Alfredo Ramos, o Pedroca, promoveu encontro do MDB, anunciou sua candidatura a vice de Daniel Cândido (PSD) e filiou mais de 200 simpatizantes no partido. Agora, corre o risco de ser expulso pela velha guarda da sigla. Confusão nos bastidores ganhou outro ingrediente. O recém-eleito presidente, Eurli Silva, o Irmão, fala em renúncia.

Membro do alto escalão da prefeitura de São João Batista confessou em um jantar na praia, que o MDB já se articula para derrubada do vice, e estudam novos nomes para a disputa em 2020. Na sexta-feira (01), por volta das 13h30, reunião entre cinco lideranças, entre governistas e emedebistas, discutiu ‘a rasteira’ no vice.

Brigas internas do partido acontecem desde o fim da eleição em 2016, e ficaram intensas com o vazamento de áudios onde Pedroca fala de membros do Governo Municipal, do MDB e opositores. Na tribuna da Câmara o vice-presidente do partido, vereador Éder Vargas, condenou os áudios e disse que não ‘sairia para pedir votos para Pedroca em 2020”.

Depois disso, novo vazamento. Conversa do presidente do MDB, Eurli Silva, o Irmão, jogou gasolina ao falar sobre possível falta de apoio da candidatura de Pedroca pelo prefeito Daniel, e uma suposta aliança com o empresário Cili Setti do PP, como vice. Caiu como bomba. Irmão tentou alegar que áudio havia sido manipulado, mas não colou. Agora, sugere renúncia.

Em mensagens de texto, que o blog do Jonas Hames teve acesso, o novo presidente do MDB joga a toalha para os cola-pretas. “Este pessoal tem interesse de fazer desconstrução. Colocam a gente em meio a brigas pessoais. Vocês estão certos. Devem ter um candidato a presidente que aceite vossas bobagens (sic). Obrigado pela oportunidade. Presidência do MDB em aberto”, escreveu. Não há confirmação da data em que a mensagem foi postada.

Outra troca de mensagem mostra uma figura do primeiro escalão da Prefeitura de São João Batista abordando a questão da candidatura de Pedroca no próximo ano. Diz que acabou a esperança e que os governistas não precisariam de adversários para fazer campanha. Ameaça ainda com uma suposta “gravação bombástica” que, se liberada em cima da eleição, faria os partidos não terem voto algum.

Representantes do diretório foram consultados sobre a renúncia de Irmão e expulsão de Pedroca, e não confirmam. Desconversam. Afirmam não ter nada oficializado e que a sigla estaria “mais unida do que nunca”. “Fake. Tudo conversa de WhatsApp”, disse um deles.

Candidatura, MDB e PSD

Candidatura de Pedroca para prefeito em 2020 foi lançada no dia 03 de outubro de 2016, no coreto da praça da prefeitura, na comemoração da vitória da reeleição de Daniel Cândido. De lá para cá, reviravoltas marcaram a relação. O vice assumiu o comando do município por 30 dias nas férias do titular, o que não deverá se repetir. Acordo celebrado entre o PSD e MDB impõe que a cabeça de chapa será dos emedebistas, com o pessedistas de vice.

Deram água ao partido

Dois nomes foram fundamentais para o MDB retornar e se manter no poder nos últimos anos. Laudir Kammer, o Alemão, em 2012, e Pedroca, em 2016, foram responsáveis por reerguer a sigla, e permitir que voltassem ao poder. Alemão foi candidato que conseguiu impulsionar a eleição, segurando candidatura até o último dia e depois entregando a cabeça-de-chapa para Daniel Cândido. Foi colocado de lado depois, e história se repete agora.

Queda de braço e disputa interna pode inviabilizar o MDB na cabeça, dando espaço para consolidação de uma alternativa pessedista e jogando novamente os emedebista para função de coadjuvante. Novela terá novos capítulos.