Pensaram nos votos, esqueceram os compromissos

Fechamento das urnas no dia 5 anunciava uma mudança sensível na percepção do eleitor o como seu comportamento se daria daí por diante. Pouco adiantou. Nem os 43% dos votos contabilizados para o novato Comandante Moisés em São João Batista foi suficiente. Olhos vendados e as lideranças locais seguiram na tentativa de influenciar ou comandar votos, esquecendo de estabelecer as prioridades e compromissos para apresentar aos dois candidatos do segundo turno.

Sacudão das urnas, se confirmada a pesquisa Ibope, vai cobrar dos políticos uma análise de como estão tratando as cidades do Vale. Habituados a vassalagem de políticos da capital, bajulação em troca de cargos na estrutura do Governo ou da Assembleia, prefeitos, vices e vereadores negociavam votos a granel. Até aqui apresentavam, inclusive, metas de votação. Compromissos com as prioridades da região, em segundo plano.

Apesar de ter ampliado sua importância no contexto político catarinense, o conjunto de políticos no comando dos cinco municípios do Vale apenas se reuniram no momento em que perceberam que o candidato que reunia os interesses partidários deles estava em dificuldades eleitoral. E não foi para estabelecer as necessidades da comunidade e cobrar posturas, mas para voltar a retórica eleitoreira. Nada de SC-410, SC-108, Batalhão da PM, Posto da Policia Rodoviária, Estradas ou Hospitais.

Os dois candidatos assinaram compromissos com as principais regiões de Santa Catarina. Os esparsos assentimentos de Merisio e Moiséis para o Vale foram feitos através da imprensa. Em entrevista a Super FM o Comandante afirmou que deve trabalhar pelo Batalhão da PM e garantir a infraestrutura das rodovias. Já Merisio disse que Batalhão e Posto da Policia Rodoviária são irrelevantes e ligados apenas ao burocrático e administrativo. Para Tijucas, ao menos, foi conseguido o compromisso de ambos de não construir penitenciária na cidade.

São João Batista que garganteia estar entre as cidades com maior crescimento populacional de Santa Catarina, Tijucas que tem uma economia pujante e os cinco municípios que juntos somam mais de 70 mil eleitores não fazem valer sua força. Não entenderam a importância de garantir que as demandas do Vale sejam incluídas nas prioridades dos candidatos. Seguem trocando os compromissos com as cidades por cargos para meia dúzia de apadrinhadas em gabinetes. Insistem na mendicância por emendas ou rebarbas do orçamento.

Bolsonaro e Comandante Moisés colocam luz ao movimento de rechaço à classe política estabelecida e a forma com que tratam as questões públicas. Buraco no Tijipió segue lá, como prova. Para os políticos dos conchavos, cargos e interesses pessoais o recado está dado. Priorizar os compromissos com investimentos em infraestrutura, saúde, educação e defesa da economia local é imprescindível. A defesa dos interesses da população deve se sobrepor as paixões partidárias ou tendência. Se não ouvirem o gongo, em 2020 a onda esmaga o resto.