Whatsapp é o novo ‘boteco’ dos políticos batistenses

Um novo balcão foi escolhido para a troca de acusações, bate-bocas, disseminar fofocas e atacar desafetos foi eleito pelos políticos batistenses e vem ganhando força nos últimos meses. Centenas de áudios com provocações e linguajar desaconselhável para menores pipocam, além de imagens e vídeos devidamente editados para estimular a briga. Nessa semana a troca de farpas, palavrões e áudios ficou entre dois, até então, governistas: o intendente Gilberto Montibeller (PMDB) e Leandro Clemes, que foi candidato pelo PMDB em 2016 com o nome de Leandrinho da Sônia.

Essa prática de usar áudios no aplicativo já vem de algum tempo. Durante as eleições áudios do próprio Leandro se tornaram viral. Ele teria encaminhado cobranças para coordenação de campanha dos emedebistas e num deles afirmava aos gritos “estar virado num demônio”. É a modernização do embate partidário e político em São João Batista. Até então, principalmente nos anos 90 e 2000, políticos batiam boca na tribuna da Câmara, na rádio ou soltavam as ‘fofocas’ nos bares. Dali, de boca em boca ganhavam a cidade numa espécie de telefone sem fio.

Outra prática bastante utilizada era a confecção dos famosos ‘pasquins’, impressos em papel ofício, eram distribuídos geralmente nas madrugadas e carregavam expressões injuriosas, difamatória e com baixa qualidade vocabular. Durante bom tempo fez parte da tradição eleitoral da cidade e estimulava a briga entre os ‘colas-brancas’ e ‘colas-pretas’. Sofisticação, no entanto, não resolveu a questão de qualidade. O linguajar segue chulo e debate não passa de troca de acusações ou, em alguns casos, invencionices. Também eram comuns colunas em jornal assinadas com pseudônimos. “João Badasso” e “Caneta Alugada” eram os mais famosos e virulentos.

De contato em contato os áudios viralizam e se tornam o assunto da semana. Foi assim com o discurso do vereador Leoncio Cipriani (PMDB) na tribuna da Câmara, em que citou Jandir Franco e criticou o fato de mesmo tendo um helicóptero estar reclamando do aumento na taxa de iluminação pública. A resposta do empresário ganhou as redes e defensores do parlamentar também usaram a mesma ferramenta para contra-atacar. Leôncio, aliás, já ganhou repercussão outras vezes. Na discussão da taxa do lixo reclamou dos cidadãos que usavam sacolas de mercado para depositar resíduos e fez comparação com porco. Foi o suficiente para o assunto ganhar os grupos no aplicativo.

Embate digital entre Leandro Clemes e Gilberto Montibeller teve outras motivações. Clemes ocupava cargo de Mestre de Obras e como não passou no concurso público deixou a Administração. Vieram as críticas. Acusa o intendente de não ajudar os agricultores e membros governo de não cumprirem acordos.  Resposta de Montibeller foi à mesma altura. Chamou o desafeto de mentiroso e uma frase de efeito: “tem gente que nem pra bater punheta em cachorro serve”, disse. Nessa conversa entraram outros atores, e no final o pandemônio estava criado.

Se nos botecos as discussões eram frente-a-frente e na Câmara microfones eram quebrados, no Whatsapp ao menos o físico está preservado. Plateia também ganha mais público e de celular em celular escancara os ranços da política local. Mesmo em anos distante da campanha, a polarização, descontentamento de políticos com seus grupos ou mesmo desavenças pessoais mantém, os punhos em cima do balcão. Agora, sem cerveja ou risco de ser escoltado pela política. E sem andar pelas ruas deixando panfleto embaixo das portas. O novo boteco dos políticos batistenses é o Whatsapp.